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	<title>Escafandro &#187; Prosa-poética</title>
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	<description>Um mar dentro de mim</description>
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		<title>Escafandro &#187; Prosa-poética</title>
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		<title>Quem sabe?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 14:16:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Serão as glórias maiores que os ressentimentos?
Será a fortaleza antes da ruína?
Prevalecerá o desejo à repulsa? A força à preguiça? A coragem ao medo? A emoção ao tédio?
Ninguém sabe. Só vivendo pra descobrir.
O caminho do menor esforço é indecifrável. Decifrá-lo é esforço.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Serão as glórias maiores que os ressentimentos?</p>
<p>Será a fortaleza antes da ruína?</p>
<p>Prevalecerá o desejo à repulsa? A força à preguiça? A coragem ao medo? A emoção ao tédio?</p>
<p>Ninguém sabe. Só vivendo pra descobrir.</p>
<p>O caminho do menor esforço é indecifrável. Decifrá-lo é esforço.</p>
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		<title>Ame</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 13:10:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Um ícone no altar. Uma luz reluzente com a voz mais sensual do que tudo o que existe, doce, delicada, sofrida, cultuada e cultivada em um milhão de prantos silenciosos ou barulhentos, gemendo de emoção, carcomida, voz de quem não se conhece, voz de quem deixou de ser, esqueceu quem era, voz de padeiro, cartomante, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=372&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Um ícone no altar. Uma luz reluzente com a voz mais sensual do que tudo o que existe, doce, delicada, sofrida, cultuada e cultivada em um milhão de prantos silenciosos ou barulhentos, gemendo de emoção, carcomida, voz de quem não se conhece, voz de quem deixou de ser, esqueceu quem era, voz de padeiro, cartomante, bailarina, general, balconista, faxineiro, manicure, babá, quimera, oráculo. Uma voz em cima do palco, cristalizada num reboladinho suave, toda irrigada de sentimento e emoção, a voz de todos nós, bichas, advogados, putas, ladrões, viúvas invisíveis, machões infames, madames idiotas, frívolos de plantão, introspectos naseabundos, vaidosas laceradas e disformes, piranhas lascivas ou indiferentes, lésbicas adoráveis ou assexuados embalados a vácuo, uma voz inebriante com mais de mil olhos voltados pra si. Ela, em cima do palco, um ícone no altar. Mil olhos. Ela não olha pra nenhum dos mil olhos. Ela só canta e rebola. Por que suas lágrimas secaram e quando ela lembra quem é, prefere esquecer. Ela volta pro palco, sempre. Quem é mais forte que quem? Ela prefere não ter que olhar pra ninguém. Não há outra novidade em sua vida senão o fato de que, constantemente, ela se acha inútil e vagabunda, imprestável e solitária, um traste, feia, horrorosa, burra. E aí, se vê impelida, novamente, a voltar pro seu altar. E reluzir tão intensamente que ofusque tudo a sua volta, e ela pare de se sentir uma merda. Pros outros. Não importa que ela tenha posto silicone na bunda ou na xereca ou quebrado um quarto de hotel sentando na vara de um negão em Papua Nova Guiné. Não me importa. Ame. Ou deixe. De volta ao palco, até a atrofia absoluta do eu. Sem novidades. Ame e cante. E rebole.</p>
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		<title>Verão</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 14:39:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[E no caminho, muitos de nós não aguentarão, e sucumbirão, nesse mesmo e único caminho que seguimos, indivisível, imprevisível, único. E outros tantos nós desatarão. Por que a vida é pesada e o fardo é grande e quanto mais amamos, mais perto estamos. Não levar ressentimento pra cama, tampouco desaforo, e não esquecer: toda premissa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=360&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>E no caminho, muitos de nós não aguentarão, e sucumbirão, nesse mesmo e único caminho que seguimos, indivisível, imprevisível, único. E outros tantos nós desatarão. Por que a vida é pesada e o fardo é grande e quanto mais amamos, mais perto estamos. Não levar ressentimento pra cama, tampouco desaforo, e não esquecer: toda premissa se coloca acima da existência. Quanto mais perto da morte, mais livre? Por que velho aguerrido me emociona: contraria o princípio moral do “eu mereço, pois estou cansado”. Meu chicote rasga o lombo ao longo da caminhada, do começo ao fim. Caminhar, caminho, carinho, cadinho. Dos males, o verão. Calma e cama, e os dois juntinhos. Catapulta o jogo pra onde tu quer chegar, catapulta, vai, catapulta e veja. Conceda a você o direito de não fazer mais concessões. Conceda, e verá que não há resposta certa. Nas palavras do velho poeta: tudo é exílio, tudo, menos a poesia. Poesia é a autoajuda da desesperança. Pouca gente compreende isso. Eu penduraria Platão e Sócrates juntos numa forca, na minha república fugimos todos pruma aurora perpétua de tanto sentir. Dor e prazer, tudo misturado, sangue, esperma, gozo e agonia. Emoldurado num quadrinho de flores malvadas, tudo junto, Baudelaire e Jesus Cristo de cintas-liga, into leather. Sem economia, sem concessões, sem frescura. Girassóis na rede e tudo mais, pra bom entendedor um bom amigo basta. Por que adulto não dorme bem; isso é pras crianças, que sabem sonhar, ainda, enquanto não se esquecem.</p>
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		<title>Entre o abismo e os jornais</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 12:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Pare você e pense: os jornais são insuportáveis. Eles não servem pra nada a não ser adestrar. Não te fazem uma pessoa melhor. Tudo que está aí não vale nada. Nenhuma novidade. Olhe pra dentro e veja: qual a diferença de hoje pra ontem? Claro que, se hoje chove, a diferença se anuncia no tempo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=356&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Pare você e pense: os jornais são insuportáveis. Eles não servem pra nada a não ser adestrar. Não te fazem uma pessoa melhor. Tudo que está aí não vale nada. Nenhuma novidade. Olhe pra dentro e veja: qual a diferença de hoje pra ontem? Claro que, se hoje chove, a diferença se anuncia no tempo. Mas se o horizonte está na mesma altura e temperatura de ontem, e as esquinas continuam sendo dobradas por pessoas indo e vindo, pare. Não passe a vista no jornal. Nunca mais. Não ouça as rádios. Não veja a tevê. Escolha. Não pense que um sorriso coca-cola vai te salvar. Rumine o ar de si mesmo defronte a um abismo. Mesmo que o cheiro seja insuportável. Esqueça-se. Há um lampejo de sagrado em todo medo que te abomina. Um desejo infame de indesejar. Pela vida a fora, cheia de curvas pelo caminho que não encostam em si. Fique cansado e escreva um manual de auto-ajuda enquanto estiver sozinho. Mesmo que ele seja pornográfico. Pense que dentro de você há um mim. Você é seu centro. Tudo que você percebeu foi percebido a partir de você mesmo. O fora está dentro de você. O fora não existe. Não é demais dizer que o que se configura como você pode ser a sua salvação. Entre. Entre dentro de você. Não olhe mais pra fora, não consulte o horóscopo e não leia os jornais. Principalmente, não leia os jornais. Eles são cheios de publicidade suja e novidades inúteis que te distraem, retraem e traem. Cheios de perfídia. Seja leal e fiel a si mesmo, ao que você pensa no escuro, sozinho, à sombra. Sonhe com suas melhores cores. Adormeca no furacão, o seu furacão. Ignore o que ocorre onde você não vê. O que você vê já é muito. Seja menos. Mire-se no seu redor. Sinta o que seu coração sente. Seus sonhos hão de prosperar. Dentro de ti. Sem rumo. Sem nexo. Cabisbaixo ou não. Creia-se. Não há fórmula correta. Tampouco forma. Todo mundo há de pensar, há de correr, há de ficar. Debaixo da terra. Não siga instruções. Traga no bolso sempre suas próprias imagens prediletas. Não acredite no consumo. Escreva coisas sem nexo. Adestre-se sem prumo. Abandone o pudor. Cometa seus erros originais e tenha em vista que deles nascem os mais autênticos complexos. Coma seu macarrão com frango terças à tarde e tenha nojo da carne de uva na sua boca ao romper a casca.</p>
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		<title>Sai Daqui Neném (Você Sabe Disso)</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 13:41:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Desejo desentupir essa torrente que não cala. Alagar as margens que já vão lá pela casa do caralho, um Amazonas com Nilo e Ganges, misturadinho, gigantesco. Essa torrente interminável, essa abominável torrente que flui, ininterruptamente. Que cansa e faz o instante parecer uma maratona. Um único momento em que tua cabeça consiga alinhavar todas as [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=333&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Desejo desentupir essa torrente que não cala. Alagar as margens que já vão lá pela casa do caralho, um Amazonas com Nilo e Ganges, misturadinho, gigantesco. Essa torrente interminável, essa abominável torrente que flui, ininterruptamente. Que cansa e faz o instante parecer uma maratona. Um único momento em que tua cabeça consiga alinhavar todas as possibilidades palpáveis e impalpáveis sobre as quais você se debruça, na eterna ingenuidade de achar que você pode resolver algo, alguma coisa, um incômodo, a inquietação que te acomete, num instante redentor de esperança de quem não espera, de quem, assim como disse o Miller, aquele fodão, precisa desesperadamente fugir pra uma aurora perpétua com velocidade infalível, que não deixe espaço pra pesar, remorso ou arrependimento.</p>
<p>Apenas um desejo. Desejo inclusive de estar começando algo que há de terminar, e estando terminado, no instante, há de ser gracioso e violento, trazendo pra nós maior moral, maior ibope. Algo que esclareça. Algo que não pertença aos senhores mercadológicos. Ora vejam vocês: eu mesmo, farnango agudo e aguçado pelos recalques mais escandalosos e profundos, enfiado numa épica e improvável batalha coletiva da poesia contra o mercado, tomei um baita esporro de um desses senhores, outro dia mesmo. É claro que não esqueço. Nunca. É mais um trauma pra coleção. Escaldado nas areias do inferno, forjado na sentença terminal da frustração. Seminal, diga-se de passagem. O que eu faço? Penso eu – no meio do furdúncio: foda-se. Sigo adiante mediante desculpa de cantinho de boca. Não quero me aprofundar num jogo que não quero jogar, mais fácil respeitar as regras deles, mas&#8230;</p>
<p>Mas, impelido, dou pra escrever essa merda hermética donde concluo o talvez melhor caminho, único ao que me apeguei: um simples “OK, você tem razão” pro senhor do mercado. Ele merece minhas desculpas. As mais cínicas, diga-se de passagem. Porque pra mim, entre a vilania inescrupulosa de estar besuntado em razões mercadológicas e a minha ternura de inocente idiota inconseqüente, eu fecho comigo mesmo, porque não sou outro. Desabafo aqui porque levar desaforo pra casa só trás munição pro meu massacre. Eu vou exterminar esses filhos da puta todos com a minha indiferença (se não me afogar em arrogância, sinceramente, essa armadilha da vaidade&#8230;). Meu napalm pra esterilizar esse campo de coerência ingrata.</p>
<p>É conta no banco, juros intermináveis que a gente jura que vai pagar, doenças incríveis que nos acometem e a falta de tempo pra reagir. Um instante redentor há de salvar a todos nós, através da esperança contida no desespero. Tô afiando minhas obsessões não é de hoje; ela já é uma katana de samurai, letal, daqui há pouco canhão, me dá só mais meia horinha. Quero ver a cara do sujeito quando for atingido, num sonho meu, por uma bala na cara, um tremendo balaço nos cornos. Quero ver seu sorriso sem dentes, a baba com sangue escorrendo pelo queixo amassado. Quero VER. Porque ri melhor quem ri. E neguinho tem se locupletado em risadas e dry martinis por aí. O capital financeiro tá aplicado nessas risadinhas. Risada de barriga cheia e indiferença. Risada de quem é dono do meio.</p>
<p>Quero empilhar as carcaças desses filhos da puta todos, um em cima do outro. Nada contra os camponeses cambojanos, eu vos amo, mas minha sede é de Pol Pot. É de Tom Zé, também, veja você. Não tenho mais medo, meu instante é meu, meu sabor, meu momento. Não vou negar. Não vou ficar calado, não dá. Se eu penso muito, não vejo nenhuma boa razão pra não vomitar. É inerente. Meu rancor de pelúcia. Se liga, senhor gerente, tudo é vai e volta.</p>
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		<title>Anacrônico Contemporâneo</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 18:45:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Porra de violência escrota e desejo de despejar uma porrada de porradas por aí, nos agiotas de plantão, nos beligerantes ensimesmados, nos covardes transvêssos, nos alarmistas rotineiros. Sou um anacrônico contemporâneo, inventor de oxímoros. Tô com raiva de médico, advogado e otimistas em geral. Eles fodem o mundo, os otimistas. E isso não é papo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=330&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Porra de violência escrota e desejo de despejar uma porrada de porradas por aí, nos agiotas de plantão, nos beligerantes ensimesmados, nos covardes transvêssos, nos alarmistas rotineiros. Sou um anacrônico contemporâneo, inventor de oxímoros. Tô com raiva de médico, advogado e otimistas em geral. Eles fodem o mundo, os otimistas. E isso não é papo meu, me foi contado, um amigo cabeção quem chegou a essa máxima. Eles, os otimistas, fodem o mundo. Enchem tudo de esperanças, um dia chegamos lá. Sempre seguindo a merda da cenoura amarrada a sua frente, nessa vara presa a tua cabeça. Sempre que tu avança, ela se afasta de você, clássico. Saudade da minha verborragia. Tava já há uma pá de tempo sem escrever por aqui, sem escrever at all.</p>
<p>Falar me parece um tanto enfadonho, um tanto necessário. Viva o relativo, vi o absoluto. Poderia me furtar a isso, mas prefiro pular. Porque os políticos não são otimistas, eles são realmente ótimos, o ótimo, propriamente dito, virtuosos e perfeitos em seus ofícios de arautos da hipocrisia. Meu desprezo por eles é mais audível do que o coro dos descontentes. É impossível manter a linha, economizar, manter o prato cheio e a cabeça vaga. Isso porque do vazio vem tudo. Isso. Simplesmente. Porra, tempo que eu não vomitava uma tora cinematográfica entumescida de amor e ódio. Dobro bem uns círculos pros extremos se tocarem. Hoje em dia falar qualquer coisa é pertinente, falar qualquer coisa com consistência não, isso é impertinente. Não convém. Fodam-se. Eu acho o meu ceticismo uma armadilha bonita pra caralho pra continuar respirando.</p>
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		<title>Melodia de Caça</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 22:40:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[

Níveis incandescentes de stress. Melodia ancestral de caça. Caça ao abrigo. Melodia de fim dos tempos pra quem pensou um dia que tudo podia ser eterno. Melodia de eterno recomeço, pra quem carrega nas costas níveis de stress incandescentes, mas não perde o hábito de rir, ou de gargalhar, o quanto melhor. Pra quem não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=313&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignnone size-full wp-image-317" title="precipicio" src="http://capiteo.files.wordpress.com/2009/06/precipicio1.jpg?w=370&#038;h=438" alt="precipicio" width="370" height="438" /></p>
<p style="text-align:right;">
<p style="text-align:right;">Níveis incandescentes de stress. Melodia ancestral de caça. Caça ao abrigo. Melodia de fim dos tempos pra quem pensou um dia que tudo podia ser eterno. Melodia de eterno recomeço, pra quem carrega nas costas níveis de stress incandescentes, mas não perde o hábito de rir, ou de gargalhar, o quanto melhor. Pra quem não perde a capacidade de aprender, de lutar, de gozar, de fruir. De fuder. E principalmente, pra quem não perde a capacidade de sentir dor, a dor do stress, a dor de estar vivo. De rir da própria desgraça e recomeçar sempre, mesmo depois da morte. Níveis melódicos incandescentes pra quem recomeça a destruir o medo, mesmo depois de ter se cagado todo nas calças. Mesmo o mais simples dos umbigos trás em si uma melodia ancestral, pra ser ouvida de ladinho, com o rosto colado ao chão. Melodia de vertigem pra quem sabe entoar um cântigo em meio ao maior dos tormentos. Níveis de emoções inéditas e inimagináveis, pra quem trás nas costas as marcas de níveis. Stress incomensurável de caça ao abrigo pra fugir de melodias tolas que minam as mínimas certeza intermináveis: no riso, no fundo, no chão. Melodia de stress, mas ainda sim cantando. Quem é adepto de precipício acaba aprendendo a voar. Melodia emocional e melancolia de caça.</p>
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		<title>Acerto de coisas bonitinhas e ressentidas</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 13:07:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Um acerto de contas, sim. Um acerto velado e tácito, destruidor de sonhos e esperanças. Incongruências juvenis regem teus medos mais doces, graças a um bom deus que rebola gostoso a bundinha. Eles vivem cagando regras em uma ordenação de obrigações violentas que divorciam o ser do mundo e te mantêm em suspenso. Ocidentais até [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=289&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;">Um acerto de contas, sim. Um acerto velado e tácito, destruidor de sonhos e esperanças. Incongruências juvenis regem teus medos mais doces, graças a um bom deus que rebola gostoso a bundinha. Eles vivem cagando regras em uma ordenação de obrigações violentas que divorciam o ser do mundo e te mantêm em suspenso. Ocidentais até a última raiz do cabelo, até que o último modelo perfeito do mundo das idéias venha esmagar minha sensação bêbada e falsa. Entre a verdade e a mentira tem um mundo de coisas que não se vê – se fôssemos cegos, cheiraríamos muito mais. Camadas omitidas, ignoradas, desprezadas, desdenhadas. Tudo é tão delicado e intenso, mas quem distingue? Cada macaco no seu galho, ensimesmado como a chuva que cai lá fora e omite todo sol daqui de dentro do meu peito, uma coisa que suprime a outra e mais outra, um constante esmigalhamento de devenires e todo um desdém, tanto pelo trabalho quanto pelo pensamento. Se eu fosse outro seria mais próximo de mim, não sendo eu. Todo um mundo de obrigações recalcadas não nos permitem o assassinato purulento que certas hordas demandam. Todo estupro racha a ternura, independente de traição. Tudo se exclui num mundo impossível das possibilidades de amanhã de manhã, cheios de culpas num acerto de contas verticais de todas as roupas sujas não lavadas, uns contra os outros, todos são inimigos, tudo baseado na aparência. Lucros abomináveis e incessantes na direção da vitória, tudo conquista individual que reprime a singularidade do indivíduo. Lucros abominantes, e que não moram em nenhum bolso conhecido meu. Toneladas de contradições incrustadas de intenções cavilosas, tudo pra você acreditar no tempo, tudo pra que você vá pro céu mais tarde, tenha uma recompensa, um desejo saciado, um status, e grana, muita grana. Tenho a necessidade incomensurável de viver contigo numa ilha que amanheça a cada dia perto de um porto diferente. Sem grilo. Sua linda buceta rutilante me multiplica, tua opulência ímpar me deixa tímido e inebriado, depende de onde, depende de como. O lance é seguir molhado, mesmo seco, olhar pro lado e ignorar o pouco tempo que nos sobra. Desvio irremediável. Se você acredita que nasceu torto, não cresça reto. Não grite e não morra. A poesia é inútil quando você não come ela. Dentro de mim. Virulência do pênis e cagadela de pombo como adubo. Sou contra os sacerdotes do controle, sou contra essas indóceis máquinas da onisciência, porque elas mentem. Sinta-se, uma coisa de cada vez.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/capiteo.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/capiteo.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/capiteo.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/capiteo.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/capiteo.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/capiteo.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/capiteo.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/capiteo.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/capiteo.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/capiteo.wordpress.com/289/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=289&subd=capiteo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Eminente</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 16:45:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sou a eminência de mim mesmo. Com vertigem emocional.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu sou a eminência de mim mesmo. Com vertigem emocional.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/capiteo.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/capiteo.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/capiteo.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/capiteo.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/capiteo.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/capiteo.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/capiteo.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/capiteo.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/capiteo.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/capiteo.wordpress.com/273/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=273&subd=capiteo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Vale o que acontece</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 14:39:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>capiteo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa-poética]]></category>

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		<description><![CDATA[É como num almoço de família: a expectativa é grande demais. O desejo de avaliar se mamãe mandou bem impede o fluxo natural dos acontecimentos. O desejo de mamãe ser (bem) avaliada, antes de mais nada. De fisgar todo mundo pela boca. Como peixes. Bendita invenção: entre a alavanca e a roda, eu fico é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=269&subd=capiteo&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>É como num almoço de família: a expectativa é grande demais. O desejo de avaliar se mamãe mandou bem impede o fluxo natural dos acontecimentos. O desejo de mamãe ser (bem) avaliada, antes de mais nada. De fisgar todo mundo pela boca. Como peixes. Bendita invenção: entre a alavanca e a roda, eu fico é com o gancho. É como se a humanidade toda (um perigo pensar / evocar essa imagem, a humanidade toda) estivesse presa a esse tipo de dogma – avaliar se o caminho tá certo, se estamos fadados a destruição ou não. Avaliar se tá tudo nos eixos, se tá tudo certinho. Se teremos alguma chance, se fisgamos algo.</p>
<p>(Isso quase com amnésia, isso sem olhar envolta, sem lembrar o mínimo que seja do que vem ocorrendo entre os homens, esse sistema legal ao qual a gente chegou. A História dos vencedores, as guerras, santas ou políticas, os governos, os impostos, as indústrias, a publicidade te convencendo a precisar de algo inútil, a miséria galopante em 90% da superfície, as águas podres e o lixo, os peixinhos com câncer, os ursinhos morrendo nos cantos do planeta&#8230; Esse jeitinho bacana de viver, onde não damos bom-dia pros vizinhos, onde precisamos de uma tonelada de metal pra ir daqui até lá, queimando combustível fóssil, onde o legal é ter o que ninguém tem, pra usufruir sozinho. Onde estamos submissos a mercados globais controlados por fulaninhos que ninguém conhece, onde as decisões são tomadas às escondidas. Onde existe uma democracia que nos impõe uma porrada de regras e ordens o tempo inteiro.)</p>
<p>Ninguém se liga no percurso. Ninguém se liga no ponto onde se está; estamos sempre tendo que chegar logo a algum lugar, com a cabeça no fim. É uma época em que tudo é excessivamente medido, contado, mensurado. Ninguém tá aqui sem medir de onde tá vindo ou pra onde tá indo. Tá tudo separado: o prazer do sabor. Tá tudo se divorciando. Ninguém mais caminha de mão dada sem se sentir comprometido. Se você domina a língua? Amigo, você traça uma linha estreita e firme entre o que você sente e o que você vive, e isso sai de você como texto. Isso é o que importa. Dominar a língua é ofício de quem quer subjugar alguma coisa. Provavelmente pra medi-la. Me pego nesse excesso de totalitarismos, de hermetismos e de outros ismos. Tenho abaixo de mim 6 mil quilômetros de dólares numa conta numerada na Suíça. Só não achei ainda, mas vivo acumulando tesouros depositados em local muito seguro. Como num almoço de família em que ninguém consegue sentir o gosto real do momento. Enquanto eu não cagar um negócio lindo de dentro de mim não vou ficar satisfeito. E tem que ter alguém pra medir. Estamos fadados a destruição e temos uma mínima chance de nos salvarmos – fugindo. Desse rumo. Hoje sempre é depois de ontem e antes de amanhã, nunca hoje. Propriamente dito. Sigo fugindo, sigo voltando pra casa. É tudo um grande jogo de palavras, amigo. A arte incomoda os satisfeitos e satisfaz os incomodados. Como você mesmo me falou ontem. E a gente preocupado em decidir se estávamos fadados à salvação ou à ruína. Sem destino certo, vale o que acontece.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/capiteo.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/capiteo.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/capiteo.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/capiteo.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/capiteo.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/capiteo.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/capiteo.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/capiteo.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/capiteo.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/capiteo.wordpress.com/269/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=capiteo.wordpress.com&blog=4910060&post=269&subd=capiteo&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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