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Arquivo da categoria ‘Prosa-poética’

Ame

Um ícone no altar. Uma luz reluzente com a voz mais sensual do que tudo o que existe, doce, delicada, sofrida, cultuada e cultivada em um milhão de prantos silenciosos ou barulhentos, gemendo de emoção, carcomida, voz de quem não se conhece, voz de quem deixou de ser, esqueceu quem era, voz de padeiro, cartomante, [...]

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Verão

E no caminho, muitos de nós não aguentarão, e sucumbirão, nesse mesmo e único caminho que seguimos, indivisível, imprevisível, único. E outros tantos nós desatarão. Por que a vida é pesada e o fardo é grande e quanto mais amamos, mais perto estamos. Não levar ressentimento pra cama, tampouco desaforo, e não esquecer: toda premissa [...]

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Pare você e pense: os jornais são insuportáveis. Eles não servem pra nada a não ser adestrar. Não te fazem uma pessoa melhor. Tudo que está aí não vale nada. Nenhuma novidade. Olhe pra dentro e veja: qual a diferença de hoje pra ontem? Claro que, se hoje chove, a diferença se anuncia no tempo. [...]

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Desejo desentupir essa torrente que não cala. Alagar as margens que já vão lá pela casa do caralho, um Amazonas com Nilo e Ganges, misturadinho, gigantesco. Essa torrente interminável, essa abominável torrente que flui, ininterruptamente. Que cansa e faz o instante parecer uma maratona. Um único momento em que tua cabeça consiga alinhavar todas as [...]

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Porra de violência escrota e desejo de despejar uma porrada de porradas por aí, nos agiotas de plantão, nos beligerantes ensimesmados, nos covardes transvêssos, nos alarmistas rotineiros. Sou um anacrônico contemporâneo, inventor de oxímoros. Tô com raiva de médico, advogado e otimistas em geral. Eles fodem o mundo, os otimistas. E isso não é papo [...]

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Níveis incandescentes de stress. Melodia ancestral de caça. Caça ao abrigo. Melodia de fim dos tempos pra quem pensou um dia que tudo podia ser eterno. Melodia de eterno recomeço, pra quem carrega nas costas níveis de stress incandescentes, mas não perde o hábito de rir, ou de gargalhar, o quanto melhor. Pra quem não [...]

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Um acerto de contas, sim. Um acerto velado e tácito, destruidor de sonhos e esperanças. Incongruências juvenis regem teus medos mais doces, graças a um bom deus que rebola gostoso a bundinha. Eles vivem cagando regras em uma ordenação de obrigações violentas que divorciam o ser do mundo e te mantêm em suspenso. Ocidentais até [...]

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Eminente

Eu sou a eminência de mim mesmo. Com vertigem emocional.

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Vale o que acontece

É como num almoço de família: a expectativa é grande demais. O desejo de avaliar se mamãe mandou bem impede o fluxo natural dos acontecimentos. O desejo de mamãe ser (bem) avaliada, antes de mais nada. De fisgar todo mundo pela boca. Como peixes. Bendita invenção: entre a alavanca e a roda, eu fico é [...]

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Com Os Pés Descalços

Descalço. Pra sentir o chão. Usar menos. Usar menos o chão pra sentir os pés descalços. Pra sentir o chão com os pés descalços e esfoliados. Pra sentir melhor o chão da membrana que envolve o pé. Pele. Pra sentir descalço. O chão descascando. Pra sentir o chão descarnado do pé descalço que alça vôo. [...]

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