E no caminho, muitos de nós não aguentarão, e sucumbirão, nesse mesmo e único caminho que seguimos, indivisível, imprevisível, único. E outros tantos nós desatarão. Por que a vida é pesada e o fardo é grande e quanto mais amamos, mais perto estamos. Não levar ressentimento pra cama, tampouco desaforo, e não esquecer: toda premissa se coloca acima da existência. Quanto mais perto da morte, mais livre? Por que velho aguerrido me emociona: contraria o princípio moral do “eu mereço, pois estou cansado”. Meu chicote rasga o lombo ao longo da caminhada, do começo ao fim. Caminhar, caminho, carinho, cadinho. Dos males, o verão. Calma e cama, e os dois juntinhos. Catapulta o jogo pra onde tu quer chegar, catapulta, vai, catapulta e veja. Conceda a você o direito de não fazer mais concessões. Conceda, e verá que não há resposta certa. Nas palavras do velho poeta: tudo é exílio, tudo, menos a poesia. Poesia é a autoajuda da desesperança. Pouca gente compreende isso. Eu penduraria Platão e Sócrates juntos numa forca, na minha república fugimos todos pruma aurora perpétua de tanto sentir. Dor e prazer, tudo misturado, sangue, esperma, gozo e agonia. Emoldurado num quadrinho de flores malvadas, tudo junto, Baudelaire e Jesus Cristo de cintas-liga, into leather. Sem economia, sem concessões, sem frescura. Girassóis na rede e tudo mais, pra bom entendedor um bom amigo basta. Por que adulto não dorme bem; isso é pras crianças, que sabem sonhar, ainda, enquanto não se esquecem.
Verão
Setembro 27, 2009 por capiteo
Publicado em Prosa, Prosa-poética | Sem comentários ainda
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