Um acerto de contas, sim. Um acerto velado e tácito, destruidor de sonhos e esperanças. Incongruências juvenis regem teus medos mais doces, graças a um bom deus que rebola gostoso a bundinha. Eles vivem cagando regras em uma ordenação de obrigações violentas que divorciam o ser do mundo e te mantêm em suspenso. Ocidentais até a última raiz do cabelo, até que o último modelo perfeito do mundo das idéias venha esmagar minha sensação bêbada e falsa. Entre a verdade e a mentira tem um mundo de coisas que não se vê – se fôssemos cegos, cheiraríamos muito mais. Camadas omitidas, ignoradas, desprezadas, desdenhadas. Tudo é tão delicado e intenso, mas quem distingue? Cada macaco no seu galho, ensimesmado como a chuva que cai lá fora e omite todo sol daqui de dentro do meu peito, uma coisa que suprime a outra e mais outra, um constante esmigalhamento de devenires e todo um desdém, tanto pelo trabalho quanto pelo pensamento. Se eu fosse outro seria mais próximo de mim, não sendo eu. Todo um mundo de obrigações recalcadas não nos permitem o assassinato purulento que certas hordas demandam. Todo estupro racha a ternura, independente de traição. Tudo se exclui num mundo impossível das possibilidades de amanhã de manhã, cheios de culpas num acerto de contas verticais de todas as roupas sujas não lavadas, uns contra os outros, todos são inimigos, tudo baseado na aparência. Lucros abomináveis e incessantes na direção da vitória, tudo conquista individual que reprime a singularidade do indivíduo. Lucros abominantes, e que não moram em nenhum bolso conhecido meu. Toneladas de contradições incrustadas de intenções cavilosas, tudo pra você acreditar no tempo, tudo pra que você vá pro céu mais tarde, tenha uma recompensa, um desejo saciado, um status, e grana, muita grana. Tenho a necessidade incomensurável de viver contigo numa ilha que amanheça a cada dia perto de um porto diferente. Sem grilo. Sua linda buceta rutilante me multiplica, tua opulência ímpar me deixa tímido e inebriado, depende de onde, depende de como. O lance é seguir molhado, mesmo seco, olhar pro lado e ignorar o pouco tempo que nos sobra. Desvio irremediável. Se você acredita que nasceu torto, não cresça reto. Não grite e não morra. A poesia é inútil quando você não come ela. Dentro de mim. Virulência do pênis e cagadela de pombo como adubo. Sou contra os sacerdotes do controle, sou contra essas indóceis máquinas da onisciência, porque elas mentem. Sinta-se, uma coisa de cada vez.
Acerto de coisas bonitinhas e ressentidas
Junho 11, 2009 por capiteo
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