Ponho meu ouvido no chão e ouço o ronco de uma locomotiva gigante e atroz que corre desembestada por um trilho ensolarado em direção à minha cabeça. Escrevo mais do que consigo, em algum lugar. Tenho uma porrada de desejos desorganizados dentro de mim e vejo que não há redenção senão pelo trabalho encruado na vida. Funcionando.
Tua cara tá ao vento e chove pedra. Você continua querendo uma massagem com leite de cabra nas bochechas, ou antes prefere desviar teu corpo de lugar? Todos percebem aos poucos o quanto isolado ficamos. Skate park do umbigo. Semente já germinada mas sem raiz.
Vestes indecifráveis e universais; de amianto, a prova de fogo. Rápido e austero como uma rajada de metralhadora nos cornos do imutável. Despido de temores depois de tanta dor.
Ao mesmo tempo ancestral, primitivo, medieval, arcaico. E leve, lépido, fagueiro. Em algum lugar. Como um coelho alado sapateando na panela. Rabisco pouco pela incongruência das linhas; sinto falta pela distância dos ocasos. Intempestivos. Ritmo. Lembro agora de um amigo despudorado vomitando pra mim sua pretensão mais ensimesmada; ele resplandece agora num delicioso viveiro de luz, suponho. Um altar seguro e esporrante de prazer.
Quero meu tacape de volta. E com um prego na ponta.


