Traí um certo tipo de expectativa, descomunal. Fugi. Contra toda euforia compulsória de fim de ano e dos encontros obrigatórios, a fórceps moral. Mais uma vez um manifesto contra uma porrada de coisas. Não sei dizer, grito com meu pai. Choro sozinho e pra dentro, já não sei quem sou e não me lembro de mais nada. Escrevo compulsivamente porque não sei o que fazer, tampouco como, menos ainda o que. Como na parábola antiga que diz que depois de arrebentar as correntes o cão segue com pesados grilhões presos ao corpo.
Foda-se, mas um foda-se bem grande e ensimesmado e sem nenhum tipo de ambigüidade, só um desespero dolorido e profundo, só não é vazio porque transborda. Quero amar e não consigo, sou soturno. Quero ver e mostrar, ser mais do que dourar. Foda-se novamente, por todos os sonhos despedaçados e um pedaço de morte. Que cai, soturnamente também, e gigante. Profundo e dolorido, sem fundo.
Não adianta fugir, não há caminho. O mesmo se fecha, e a dor prospera lancinante. Fuga terrível num copo d`água.


