Com grande andar ganho uma pena em cada mão; não sou surrealista mas escrevo correndo pelos corredores, de forma quase aleatória às vezes, mas sempre tão imbuída de razão. Palavras estúpidas vomitadas num fluxo forçado, trêmulo. Medonho. Preso pra fugir. De algum lugar. Meu tesouro. Meu amigo. Tão distante. Tanta saudade. Escrevo pra fugir do pesar que trago tanto. Escrevo sem lembrar o porque, e sempre tão afoito aos detalhes. Quero fugir pra um mar doce e eterno que me acaricie a alma e me expulse a lama. Não o vejo. Escrevo pra tentar lembrar de um amigo, e da minha própria alegria. Suprimir algum tipo de barreira diante de tanto afogamento. Sinto saudades da minha observação onívora, caminho como se estivesse atrasado, ou adiantado, em dessintonia. Eu mesmo já não ataco a ninguém, só atraco a mim mesmo. Num perdido. Nu perdido. Pedido. Descalço e roto, faminto. Quero mesmo uma vaga nesse carrossel sobre o luar que me deixe menos inútil, mais a vontade, com menos medo e menos apertado, angustiado, diminuído. Uma lamúria que me entedia, eu mesmo já sinto desejo de parar, paralisia. Tanta cegueira. Tanta vaidade, tanta dor e pretensão. Tanta poesia dedicada. Escrevo como quem espreme o fim de uma pasta de dente. Saudade do amigo.
Espremendo a Pasta de Dente
Novembro 22, 2008 por capiteo


