Moças indecentes incandescem presas num murmúrio entre dentes. Ladro como um cão que uiva a noite mirando a lua, a deusa solitária que enxerga coisas invisíveis aos olhos mais afiados. Tendo o medo como teia pra um embrulho da dor, causa-me arrepios pensar em ti longe de mim. Vasculho tua flor entre as pernas com o cheiro da luz que desejo com a força de infinitos leões voadores resplandecendo ao sol. Esqueço tudo a minha volta e rujo como um pégasus pangaré gozando visgo dourado que tudo acomete, apreende e compromete. Fluidez musical. Virtude atroz, pirocas voadoras em corredores de chuva.
Não teimo com um desejo tão certo. Não temo. Temos projeção. Proteção espacial e fugidia, atavismo delirante numa reza nublada. As mesmas imagens enigmáticas. Lava escorrendo por entre as pernas, onde tudo flui. Notas voadoras numa penumbra; conserto o certo e descrevo toda dor por uma linha torta que me foi dada. Trabalhadores esbeltos, cretinos e dementes flutuam à volta. Pedras sobre pedras de indiferença. Miséria percebida nos trancos da sobriedade. Adormecer. Entre dentes. Vislumbro. Corja dourada. Intumescido delírio antinatural de câimbra na cabeça. Porra, é foda, foda é ter que acordar pra fazer e depois esquecer. Angústia sepulcral do percurso, poesia silenciosa sem nunca ter escapado. Ensaboado entre as mãos e cores hediondas. Pouca força e menor resolução.
Como um cão resoluto de dor dor e dor, tantas vezes ela, repetida e repentina. Soluço. A lua é deslocada pelo vento numa dança louca comandada por um sacerdote sonâmbulo. Andando de patins em um aquário. Corte e colagem – camada sobre camada sob camada. Descamando. Sou peixe. Cão resoluto de ganância ébria. Foda-se. Foda é ter que acordar pra toda cor. Quando uma te fala é um assombro de deixar o tampo da cabeça debaixo dos pés. Pra mim ócio é delírio e trabalho. Ao mesmo tempo, a mesma coisa. Cansaço de descansar, e tédio pra ler preguiça e ter pressa. Fuga em ré menor. Arpejo.


