Crônico apertador de botões sentado em cima de um cofre! Com a bunda suja, dura e lambuzada de mel ele ama a todos e por todos é amado! Viva ele! Seu carisma exala um cheiro doce e delicioso, de suas mangas brotam flores coloridas. Ostenta no peito uma gravata de cifrões. Recebe em sua ante-sala amigos de infância que ainda carregam tênues sonhos sem vigor. Oferece a eles posições futuras que nunca existiram.
Um ar adolescente esmaga qualquer rebeldia sem sentido. Fede e faz falta sentir dor. Grudado a ti segue uma doce memória de um lugar escondido. Cheiro agudo, recalque e uma colônia de bactérias quentinhas sentadas no balcão, tomando caldo de cana com pastel de queijo. Sugere-se uma saída infalível e inevitável. Borda podre e coerente, traz no bolso a ressurreição encarnada.
Invisível aos olhos. Demandas avermelhadas, sofrimentos alheios e devassos, virtude encolhida. Um cancro ao deslizar. Baba descarnada. Tomo como lâmina um sonho franco e (ainda) vivo. Cada válvula de escape faz curva numa esquina passada. Bicicletas ferozes como uma besta embalada a vácuo. Delírios acordados. Despertos. Assovio uma canção imaginária e sigo forte rumo ao horizonte, mesmo sabendo que o destino não existe antes do prazo.
Poesia simétrica vê-se nas calçadas calcinadas, calcinhas sem rima e uma incerteza perante o ritmo. Um único jeito de afinar - sem fazer dieta. Cosmos. Aparelho reluzente e brilhante, uma luneta infinita, cachorro sem dono, choro de bebê. Um adeus. Sofrimento danado. Uma casquinha de alfinete, arranco sem dó; uma humildade dolorida, arroxeada e miserável. Sangue.
Retinto e afogado neste mesmo sangue. Mar, mais palavras e aplausos. Uma multidão delira em silêncio. Um nada, mesmo a esquerda. Coração inchado, pacata tia que me dói aos olhos. Frito um peixe que voa em nuvem.
Quero ser. Vazio e sem luz. Transparente. Reluzente e cósmico. Reluzente. E dolorido. Inefável. Contrário à existência pura e simples, cômico e por vir. Um ser danado. Dolorido, cósmico e inefável. Gafanhotos em nuvem, cascata.


