Um incomensurável gozo de flor. Tenho dentro de mim um parasita de mim mesmo, uma iguaria consumível de um álibi idiota. Desculpas não colam por aqui campeão, esse mundo é devastado por uma luz da madrugada e um colorido de dor e egoísmo censurado por uma hipocrisia porca dos homens que querem triunfar.
Eles, que no rufar dos tambores rebolam como madames das onze horas, acordam um dia com uma conta bancaria desprezível à toda arte que caminha torta dentro de mim, esse velho parasita de cólicas ébrias e palavras tortas.
Mais uma vez um choro e um cancro asmático e delirante de células mortas e contrapartidas sociais. Cansei do silêncio externo de ombros duros, cabeça mole e idéias dispersas. Ensaboando a borboleta de uma abóbada estilhaçada. Um mago dourado estremece diante do vulcão enterrado no peito da Terra.
Um câncer de silicone; um penteado vagabundo, um preconceito arcaico, uma bunda suja e mal cheirosa. Uma pata de caranguejo brotando da terra molhada; um marujo de calcinhas rosas.
No horizonte toda fumaça que sacode e acode a cidade. Uma obtusa fervilhação de dormências ininterruptas, novamente. Um jogo de carniça voraz onde criancinhas comem arrogâncias enlatadas. Meia-luz e sola suja com sangue de barata.
Um suborno qualquer, uma dança, um ser sem paz. Um rito visceral que me enternece de raiva, novamente. Veludo na bochecha e coração de xereca. Um cesto. Porradaria que vale a pena, um pátio amplo e iluminado por mil tevês, um incesto, um inseto.
Amarelo é o ouro da corja embrutecida pela lei da gravidade. Lei da amplitude. Lei quebrada, lei quadrada. Tudo isso elevado a uma mão calejada. Pêlos na boca e a lei das crianças. Lambuzado em música.
Tento ser claro.


